Um dia você daria tudo por mais uma música ao lado do seu pai

Por Fredi Jon

Depois de tantos anos entrando na casa das pessoas levando serenatas, aprendi que o Dia dos Pais nunca é apenas uma data. É um espelho. E a música tem um jeito curioso de fazer esse espelho mostrar aquilo que o tempo tentou esconder.

Falo isso como observador.

Já vi pais sorrindo antes mesmo da primeira palavra da canção, mas também já vi homens fortes perderem completamente a voz quando reconheceram uma melodia da juventude. É como se, por alguns minutos, eles deixassem de ser apenas pais para voltarem a ser filhos, namorados, sonhadores, homens cheios de dúvidas que um dia aprenderam a carregar o peso da responsabilidade sem deixar que os filhos percebessem.

Há algo que sempre me chama a atenção. Antes da serenata, a família costuma conversar alto. Todos querem registrar o momento. Celulares apontados, risadas, expectativa. Então o violão faz o primeiro acorde… e a casa muda de respiração.

O silêncio que nasce dali nunca é um vazio. É um silêncio cheio de lembranças.

Vejo filhos enxergando, talvez pela primeira vez em muitos anos, que aquele homem de cabelos brancos continua sendo o mesmo que correu atrás de sonhos, enfrentou medos, escondeu lágrimas e abriu mão de desejos para que dentro de casa nunca faltasse esperança.

Também vejo pais descobrindo que seus filhos cresceram, mas que, diante de uma canção, ainda carregam o mesmo olhar de quando seguravam sua mão para atravessar a rua.

A ciência explica que a música desperta áreas do cérebro ligadas à memória e à emoção. Eu acredito nisso. Mas, depois de centenas de serenatas, passei a acreditar em outra coisa também: a música não devolve apenas lembranças. Ela devolve presença.

Ela faz as pessoas pararem de recordar umas das outras e voltarem a sentir umas às outras.

Talvez seja por isso que tantos pais terminem uma serenata abraçando os filhos por mais tempo do que o habitual. Não porque alguém pediu. Porque perceberam, naquele instante, que a vida passou depressa demais.

Tenho visto isso acontecer há mais de duas décadas. E, curiosamente, nunca acontece da mesma maneira. Mudam as famílias, as histórias, os endereços e as canções. O que nunca muda é a força daquele encontro silencioso entre um pai e um filho quando a música encontra o lugar certo para pousar.

Neste Dia dos Pais, talvez o presente mais precioso não seja algo que possa ser comprado, mas um instante que sobreviva ao tempo. Porque, quando a vida seguir seu curso e as fotografias começarem a amarelar, dificilmente alguém se lembrará da roupa, do relógio ou do perfume recebido. Mas um abraço dado durante uma canção, um olhar que finalmente disse “eu te amo” sem precisar de palavras e a emoção de um pai sentindo o amor dos filhos… isso permanece. A música termina em poucos minutos. O que ela desperta pode acompanhar uma família por toda a vida.

(Conheça nossa arte da serenata – serenataecia.com.br / 11 99821-5788)

Publicações relacionadas